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CITAÇÕES DE ERNESTO GUERRA DA CAL


"Este estudo é obra de amor. Um amor já antigo. Amor que me levou, muito cedo na minha vida, a internar-me com uma curiosidade gozosa pelas verdes veigas e as praias sonoras da literatura portuguesa –que representaram para mim um assombrado encontro com o meu próprio espírito, uma inesperada descoberta da minha verdadeira intimidade. Portugal era o desenvolvimento cultural, pleno, da minha Galiza natal. Era o que a Galiza deveria ter sido se as vicissitudes e os caprichos da História não a tivessem transviado do seu destino natural, deturpando a sua fisionomia espiritual, quebrando a sua tradição, impondo-lhe formas de cultura alheias, estranhas ao seu carácter"

(Ernesto Guerra da Cal, "Nota Prévia" a Lengua y Estilo de Eça de Queiroz, Acta Universitatis Conimbrigensis, Coimbra, 1954).

 

"Consideramos, pois, iniludível a nossa reintegração no perímetro e nas correntes universais do ‘mundo que o português criou’ aquém e além-mar. O verdadeiro meridiano espiritual da Galiza passa por Lisboa e pelo Rio de Janeiro -e quanto antes reconheçamos esta verdade, antes se abrirão à nossa antiga voz recuperada as possibilidades de ecoar fora dos restritos confins comarcais nos que nos estamos fechando, cegos às vastas perspectivas que temos diante dos olhos"

(Ernesto Guerra da Cal, "Nota do Autor" a Lua de Além-Mar, in ed. Galaxia, 1959; e AGAL, 1991).

 

"Tenho a convicção de que a única defesa do galego contra a política linguicida dos “espanholizantes” descansa na progressiva adopção do padrão luso-brasileiro que os “reintegracionistas” perfilham".

(Ernesto Guerra da Cal, "Antelóquio indispensável", in Futuro Imemorial. Manual de Velhice para Principiantes, Lisboa, 1985, pp. 9-11; recolhido em Vol II, 1986, de Temas de O Ensino, nos 6/10, “Linguística, sociolinguística e literatura galaico-luso-brasileira-africana de expressão portuguesa).

 

Fui pioneiro do “reintegracionismo” e hoje dou um novo passo à frente como primeiro escritor galego a abraçar o “lusismo integral”; sem ter para isso, já se vê, que abjurar da minha identidade galaica. Bem ao contrário, é assim que eu completo a minha integração individual no mundo lusíada –que é a última etapa da minha ‘peregrinatio’ íntima. E posso respirar bem fundo. Porque a língua portuguesa é o meu lar perdido e reencontrado”.

(Ernesto Guerra da Cal, "Antelóquio indispensável", in Futuro Imemorial. Manual de Velhice para Principiantes, Lisboa, 1985).

 

"Em poucas gerações poderá a Galiza contemplar o seu velho rusticado rosto no límpido espelho da língua portuguesa, que lhe devolverá a sua imagem real e ideal de Terra prometida e livre –e orgulhosa da sua voz, que virá então a tornar o seu lugar de antiguidade no coro ecuménico, terceiro do mundo, de europeus, americanos, africanos e asiáticos que se exprimem na língua de Camões, de Rosalia e de Machado de Assis –perto de 200 milhões de almas que ocupam uma sétima parte do Globo (...) Como poeta, embora humilde, que sou, reclamo o que de jus me cabe: o direito a sonhar com uma estrutura da Hispânia mais em harmonia com a pluralidade dos Povos que a compõem; o direito a sonhar que nessa nova ordenação o Minho deixe de ser uma linha de saparação política para passar a ser apenas uma bela fita de prata numa paisagem comum; o direito a sonhar com a resposta de uma Galiza livre ao apelo lançado pelo poeta Lopes Vieira: ‘Deixa a Castela e vem com nós’; o direito, enfim, a sonhar com aquela ‘Portugaliza’ ideal dos dois Povos do Cabo da Europa que visionaram Pondal e Teixeira de Pascoaes –e Mestre Lapa, vitalício sonhador, que, graças a Deus, continua a nutrir sonhos animadores de realidades".

(Ernesto Guerra da Cal, "Antelóquio indispensável", in Futuro Imemorial. Manual de Velhice para Principiantes, Lisboa, 1985).

 

“A língua nativa ficou privada da norma culta. Essa função perdida foi preenchida por um castelhano de pobre importação, eivado de galaicismos –vitimado, como a língua nativa, pela erosão mútua desta diglossia… a Galiza tem na outra beira do Minho, e do outro lado da raia, a sua própria língua, trabalhada e enriquecida por séculos de aprimorado cultivo… Um ‘sermo politus’, que também é historicamente nosso… Lá está a norma culta que nos falta, polida e civilizada… apesar da acirrada, e solapada, oposição que esta tendência levanta tanto nos sectores “isolacionistas” e “espanholistas”.

(Ernesto Guerra da Cal, "Antelóquio indispensável", in Futuro Imemorial. Manual de Velhice para Principiantes, Lisboa, 1985).

 

"A Galiza é um país semiconquistado e eu não posso conviver com uma Galiza mediatizada pelo Estado central. Estou aqui numa Galiza livre, onde falo a minha língua, estou rodeado de pessoas que falam a minha língua e só tenho que ouvir de quando em vez um turista falando castelhano. Mas se for à Galiza, tenho que estar a ouvir os galegos a preferirem, muitos deles, serem espanhóis de quarta classe do que galegos de primeira".

(Ernesto Guerra da Cal, Entrevista ao Jornal de Letras, Artes e Ideias, de Lisboa, 15-25 abril 1983).

 

"É um facto que a língua irmã contém, no seu nível rústico, quase todo o galego. Há que fazer -e isso é tão fácil!- que o galego contenha, no seu nível culto, o português".

(Ernesto Guerra da Cal, "Nota Preambular" a Lua de Além-Mar eRio de Sonho e Tempo, ed. AGAL, 1991).

 

“Não fazemos nisto senão seguir o conselho venerável do patriarca Murguia, que já recomendou a unificação linguística com Portugal, apontando que nela estava o porvir do nosso idioma…”.

(Ernesto Guerra da Cal, "Nota Preambular" a Lua de Além-Mar eRio de Sonho e Tempo, ed. AGAL, 1991).

 

“Não transigir na luta pela identidade. Se eu estiver na Galiza, não pronunciaria uma palavra em espanhol… Aí essa geração cresce pensando que o galego é oprobrioso, que é uma carga de íntima proletarização, e que falar galego é diminuir-se socialmente. Então estamos perdidos, somos a última geração que vamos falar galego”

(Em J. Posada, “Conversa no Estoril com Ernesto Guerra da Cal”, Agália, no 39, 1994.)

 

“Acontece que mercê à vantagem de uma norma que vem da comunidade linguística lusófona, a nossa língua galego-portuguesa passa a ser a terceira língua ecuménica do mundo, depois do inglês e o espanhol.”

(Em Joel Gomes, “Crónica de um encontro em Lisboa”, Agália, no 39.)

 

 

CITAÇÕES SOBRE ERNESTO GUERRA DA CAL

 

"Pensa ele [Guerra da Cal], e muito bem, que devíamos fazer uma reunião entre portugueses, brasileiros e galegos, para lançar as bases de uma reforma ortográfica".

(Carta de R. Lapa a F.F. del Riego desde o Rio, 15 novembro 1958, em Cartas a Francisco Fernández del Riego sobre a cultura galega, de Manuel Rodrigues Lapa, 2001, Ed. Galaxia).

 

"O que parecia uma pequena província obscura, tendo quando muito para se exprimir em têrmos de alguma universalidade a estrangeira língua castelhana, pode de súbito, usando sua própria língua, e apenas passando, como é necessário, e alguns vão já fazendo, a uma comum ortografia com o português do Brasil, atribuir-se a um papel de primeira plana".

(Agostinho da Silva, "Programa Em Honra de Santiago", publicado originalmente numa revista da Baía em outubro do 1960, e reproduzido no no 2 do Boletim da AGLP, 2009, pp. 11-20; ao falar da “comum ortografia” refere-se a Guerra da Cal).

 

"Guerra da Cal é um fenómeno, um monstro da natureza, uma fonte de vida, de energia e de inspiração. Professor, crítico, ensaísta, poeta, ele é, sobretudo, um homem prodigiosamente vivo: atleta, operário (construiu uma casa com as suas próprias mãos), soldado (combateu, na Guerra Civil de Espanha, do lado republicano), ex-amigo de Lorca e de não seu quantos mais, Guerra da Cal é um daqueles homens a quem o imenso saber não arranja maneira de ressequir. (...) Seria fastidioso, interminável, e pouco adequado inventariar aqui, de modo exaustivo, a bibliografia deste grande trabalhador e dinamizador de cultura, deste galaicoportuguês de dimensões universais, deste mestre supremo de língua e literatura, deste sage sedutor, deste grande civilizado que é também um invulgar mestre de viver".

(Eugénio Lisboa, Colóquio Letras, Julho-Dezembro 1992; e Agália, Outono 1994).

 

"Ademais, Guerra sustinha que Eça devia ser considerado como um escritor verdadeiramente ‘galego’, nom só por ser nativo da zona mais setentrional de Portugal, que forma parte da antiga Gallaecia romano-sueva e medieval com a mesma plenitude que qualquer zona da Galiza actual, mas também por possuir ascendência da Galiza nortenha (com efeito, no apelido Eça oculta-se seguramente um Deça, indicando procedência da Terra do Deça)".

(José Martinho Montero Santalha, A Nosa Terra, 19-VIII-1994).

 

"Guerra da Cal deixou também uma apreciável produção lírica. Nela ecoam temas, paisagens e mitos de uma Galiza que, mesmo durante os longos anos passados no estrangeiro, não se desvaneceu da memória de Guerra da Cal: é muitas vezes com nostalgia e discreta melancolia que a terra galega é evocada em livros como Lua de Alén Mar(1959) e Rio de Sonho e Tempo (1963) (...) Já nos últimos anos da sua produção poética, Guerra da Cal tematiza, sob um olhar um tanto irónico, preocupações próprias de uma idade madura mas sempre serena: o tempo, a morte e o amor".

(Carlos Reis, Dicionário de Literatura Portuguesa, 1996).

 

“Está claro que a Galiza foi para Ernesto Guerra da Cal um grande amor. Mas um amor impossível.”.

(Xosé Luis Franco Grande: “Ernesto Guerra da Cal na sua Ítaca achada”, “Homenagem a Ernesto Guerra da Cal”, Acta Universitatis Conimbrigensis, Coimbra, 1997 [HEGC Coimbra]).

 

“Muitos dirão se realmente se pode ter a Guerra da Cal como poeta galego. Nós pensamos que, se ele se tinha por tal, será mui difícil negar-lhe essa condição. Não se nos oculta que a “guerra” da língua, que nunca se deveu ter produzido entre nós, é uma das que afectam a identidade de Ernesto Guerra da Cal. Nas antologias da moderna poesia galega aparece incluído como poeta galego, pensamos que com toda justiça. Não sabemos se em diante ao se terem radicalizado os seus critérios, passando da aproximação à grafia portuguesa ao emprego do português, como língua literária da Galiza, será outro o critério dos nossos antólogos. Em qualquer caso, os que nos sentimos plenamente identificados com a cultura portuguesa, não imos condenar a Ernesto por ter esse sincero critério. Nem santificá-lo tampouco. Gozaremos com a sua poesia, e já é avondo”

Xosé Luis Franco Grande: “Ernesto Guerra da Cal na sua Ítaca achada”, “Homenagem a Ernesto Guerra da Cal”, Acta Universitatis Conimbrigensis, Coimbra, 1997 [HEGC Coimbra].

 

"Ernesto Guerra da Cal, personalidade projectada e realizada, como nengumha outra galega, nos vastos horizones da lusofonia (e da lusofilia) além-minhota".

(José Luís Rodríguez, Estudos dedicados a Ricardo Carvalho Calero, Parlamento de Galiza-Universidade de Santiago de Compostela, 2000)