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Entrevista “Guerra da Cal” ao professor Enric Ucelay-Da Cal PDF Print E-mail
Sunday, 18 December 2011 13:22

No contexto do Colóquio homenagem a Ernesto Guerra da Cal
realizado em 11 de outubro de 2011

Continuando com os eventos do Colóquio homenagem a Ernesto Guerra da Cal apresentamos a entrevista realizada a Enric Ucelay-Da Cal, filho do homenageado. Nado em Nova Iorque, de criança aprendeu inglês e, em México, castelhano. Estudou francês como segunda língua no ensino primário e secundário. É autodidata em catalão e italiano por causa do trabalho na Catalunha e na Itália, e graças a uma viagem ao Brasil que realizou com o seu pai em 1959 interiorizou a música do português brasileiro.

Catedrático de História Contemporânea pela Universidade Pompeu Fabra, o professor Ucelay-Da Cal tem no seu currículo dous doutorados, focados no nacionalismo catalão, e mais de trezentos artigos publicados em revistas especializadas. À erudição intensamente trabalhada une a curiosidade, herdada do pai, por conhecer e relacionar elementos e saberes aparentemente desligados. Tranquilo e um pouco emocionado pela surpresa da homenagem paterna, o professor participou no Colóquio com a palestra intitulada “Uma lembrança em três episódios” em que relatou a sua impressão da por vezes nada fácil relação pai-filho.

Para quem o precisar, a seguir oferecemos uma transcrição da entrevista ao professor Enric Ucelay-Da Cal:

Guerra da Cal contado pelo seu filho

O meu pai era como muitas pessoas, ou como pessoas que têm uma presença, não mais transcendente, mas uma presença cultural, é uma composição entre dualismos, heterónimos, alternativas, e há mais de um Ernesto, há um Pérez Guerra, e há um Pérez Guerra e há um Guerra da Cal. Todos são Ernestos mas Ernesto não é todos, e há um rapazinho no Sil e há um adolescente em Madrid, e há um jovem intelectual do mundo madrileno da vanguarda, e há um oficial da infantaria improvisado, e depois um policial da secreta.

Guerra da Cal, dentro e fora

O meu pai era uma pessoa que gostava muito da contradição, gostava muito de indicar quando ele pensava que outras pessoas eram ignorantes ou não entendiam uma realidade, ou pensavam de uma forma pouco imaginativa. Era um homem de uma inteligência muito viva, era também uma distinção que funciona em castelhano mas não sei se funciona em português (o meu português é tão pobre, é inexistente mais bem) é a diferença entre “esperto” e “inteligente” era um homem que podia ser esperto mas também profundamente inteligente, portanto era um homem muito irritante, que podia ofender, podia molestar, que não jogava para as regras intelectuais, que tinha criado, tinha achado um contexto português que o apoiava mas que não era um contexto galego. E este era o jogo de estar no interior mas no exterior de uma situação.

Em psicologia a gente fala de círculos e de aquelas pessoas que fazem fronteira, que estão com uma metade dentro e uma metade fora. E o meu pai gostava muito, como gosto eu, de estar na fronteira. Então ele falava de aquilo que os galegos deviam fazer mas ele não pousava os pés na Galiza. Então, este não é um bom sistema para ter muitas amizades, para ter amizade política.

Linhas de trabalho na Pompeu Fabra

É muito complicado falar disto porque eu sou um homem muito curioso, porque tenho curiosidade por muitas cousas. Sobretudo porque tenho fascinação pela maneira em que cousas muito diferentes manifestam uma relação causal, interativa...

Então, literalmente estou trabalhando sobre dous temas nestes momentos. Um: as origens das formas autonómicas no Estado Espanhol depois da revolução de 1871 e as origens dos anos XX no contexto europeu, passada a guerra mundial a desaparição das formas monárquicas federais, que são a maioria, e a criação de formas paraestatais ou estatais de poderes regionais ou nacionalitários. E isto é uma cousa pouco investigada, em concreto a relação entre a França e a fronteira renana, a tentativa fracassada em 1919-1923 de fazer uma república renana controlada pelos interesses franceses e em geral as formas autonómicas que facilitam a criação da autonomia catalã, em 1931, e depois o artigo 8 da constituição republicana que permite a criação de diversas autonomias propriamente explícito em Marrocos, mas a autonomia galega, a autonomia basca, etc. Esta visão não hispânica, não hispanocêntrica, não catalanocêntrica, mas europeia ou propriamente internacional é uma cousa.

O segundo tema é o mesmo mas do ponto de vista marxista, como as ideias e a literatura, os conceitos da teorização marxista prévia a Lenine permitem a criação da URSS entre finais de 1922 e os primeiros meses de 1923 e depois o contacto com os movimentos populares e nacionalistas espanhóis e em particular a visita de Macià procurando ajuda da Internacional Comunista nos últimos meses, de novembro dezembro de 1925, provavelmente mais erudito, questões do nacionalismo, complexidades do nacionalismo, o jogo de espelhos, de reflexos entre imagem e perceção, e a questão nacional na Europa.